As máquinas são malvadas?

Questionamentos sobre os aspectos positivos e negativos da relação homem/máquina são recorrentes. E agora, o historiador israelense Yuval Noah Harari, em entrevista à BBC, antevê que melhorias biológicas futuras e o avanço da inteligência artificial tendem a criar uma espécie de apartheid 2.0: separar o Homo sapiens sapiens em duas classes – poucos “super-humanos”, privilegiados; e muitos “inúteis”, desfavorecidos. As máquinas são realmente capazes de fazer tal proeza?

Devido à presença maciça da máquina, às vezes até se esquece que ela não existe sem o homem, enquanto que a recíproca não é verdadeira. Também é real a afirmação de que os aparatos tecnológicos têm quase sempre o intuito de facilitar a vida humana, seja para aprimorar e acelerar processos, promover bem-estar ou outros benefícios. Os caminhos para se chegar a eles é que podem fazer o ser humano percorrer atalhos duvidosos… Por isso, é neste ponto que cabe refletir se algumas invenções, como certos robôs e gadgets (dispositivos eletrônicos), são realmente indispensáveis.

Um claro exemplo de sequela do mundo interligado eletronicamente é a contraditória Internet. Devido ao uso malicioso que muitos fazem dela, o local para troca de conhecimentos e contato entre pessoas distantes torna-se um terreno favorável a criminosos. Casos recentes não faltam: o aterrorizante “jogo” Baleia Azul, no qual uma pessoa usa redes sociais ou aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, para incentivar suicídios de jovens com tendências depressivas; vazamento de fotos e vídeos íntimos – nos últimos dias, o ator global José Loreto foi mais uma das vítimas; e ataques cibernéticos cada vez mais devastadores globalmente.

.

Crédito: Marcello Rabozzi/Pixabay

Tecnologias de ponta são aliadas para o bem ou vilãs disfarçadas?

.

Fora da esfera internauta, também são inúmeras as situações de máquinas a serviço de mentes perversas ou pouco preocupadas com a humanização, tais como automatizações que possivelmente gerem desempregos e a ameaça de uma guerra nuclear que pode vir a ser desencadeada por EUA e Coreia do Sul versus Coreia do Norte.

Se as máquinas têm mais pontos bons ou ruins é preciso analisá-los minuciosamente. A discussão é, de fato, longa… No entanto, é certo que a maior parte das atrocidades do mundo feitas com apoio da tecnologia ocorre devido ao mau caráter de seus inventores ou usuários do que em razão de defeitos técnicos ou falhas e omissões humanas.

Qual a sua opinião: as máquinas são malvadas?

Matheus Teixeira

Diretor de Comunicação e assessor de imprensa da Impulse Company. Jornalista especialista em Comunicação Empresarial e Governamental e mestrando em Mídia e Tecnologia pela Unesp. Tio da Maria Clara, de 7 anos. Converse comigo: imprensa@impulsecompany.io

5 thoughts to “As máquinas são malvadas?”

  1. Excelente texto . Além dos aspectos citados sobre usos negativos da tecnologia ,gostaria de apontar uma questão que me incomoda: até que ponto a tecnologia pode mudar os relacionamentos humanos? Ela fortalece esses laços ou apenas aparenta fortalecer? Vejamos,por exemplo, as mídias sociais…2500 amigos no Facebook significa exatamente o quê em termos de relações?
    Parabéns por proporcionar profundas reflexões sobre o assunto.

    1. Obrigado pelos elogios, Paula! E você fez ótimas perguntas… Ao meu ver, os relacionamentos humanos, se forem em primeira instância virtualizados, tendem a ser potencialmente enfraquecidos quando postos no mundo físico.

  2. Ótima matéria!
    As máquinas são muito boas, porém como várias coisas, tem pessoas que usam para o bem e pessoas que usam para o mal! Outro ponto que poderiamos discutir é em relação a alguns empregos que podem ser extintos pelo uso de máquinas!

  3. Com certeza as máquinas são excelentes quando usadas de forma consciente. Matéria bem interessante

  4. Muito interessante a matéria. Como um profissional da área de tecnologia acredito no potencial que ela tem para melhorar a vida das pessoas, mas não dá pra negar que ela oferece certos riscos quando mal utilizada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *