A tecnologia vai exterminar o analfabetismo?

A educação secundária, que no Brasil equivale aos anos finais do ensino fundamental mais o ensino médio, só é concluída por 86% da população em países de baixa renda, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Portanto, 14% (uma taxa alta, considerando milhões ou bilhões de pessoas) não chegam a receber o certificado escolar da educação básica! Preocupante, não é?

Nesse contexto, a disseminação em larga escala da tecnologia pode fazer com que dados alarmantes de analfabetismo sejam reduzidos ou exterminados? Tecnologia por si só não é uma solução definitiva para os problemas do mundo, talvez seja mera paliativa; ou pior: somente os mascara. Afinal, como diz o sociólogo francês Dominique Wolton, comunicação em rede e mídias digitais não são capazes de resolver problemas se os seres humanos não quiserem compreender seus semelhantes. Tecnologia sem humanização não dá! Conhecer o público que receberá a tecnologia, bem como suas características e necessidades, é o primeiro e fundamental passo.

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Crédito: PixabayTecnologia, interconectada com outras áreas, pode promover a alfabetização

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É essencial que todos estejam preparados e capacitados para usar eficientemente a tecnologia. Não basta acreditar que serei capaz de (trans)formar cidadãos críticos e reflexivos ao empurrar tablets goela abaixo em crianças que sequer tiveram contato com um computador antes. Sejam elas, jovens, adultos ou idosos, apenas prestarão atenção nas maravilhas que a tecnologia oferece caso tenham qualidade de acesso a educação, moradia, segurança, alimentação saudável e nutrição, água potável, prevenção e tratamento em saúde, cidadania, emprego, transporte público, saneamento básico, participação política, lazer e a todos os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal do Brasil.

Obviamente, a tecnologia é um caminho para aliviar o analfabetismo. Entretanto, como escrito acima, precisa haver uma força-tarefa que leve em conta a desigualdade social e a barreira digital a fim de que se construam condições equitativas, progresso socioeconômico, e desenvolvimento comunitário e colaborativo. As Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento (ICT4D, em inglês) são boas escolhas para ampliar o acesso à Internet e à tecnologia. No entanto, nem sempre tais iniciativas são feitas com acompanhamento ou instrução aos usuários, tampouco com verdadeira intenção de aprimorar o conhecimento dos desprivilegiados socioeconomicamente. Infelizmente, nota-se, em alguns casos, preocupação em gerar receita e, quiçá, eleitorado.

Matheus Teixeira

Diretor de Comunicação e assessor de imprensa da Impulse Company. Jornalista especialista em Comunicação Empresarial e Governamental e mestrando em Mídia e Tecnologia pela Unesp. Tio da Maria Clara, de 7 anos. Converse comigo: imprensa@impulsecompany.io

7 thoughts to “A tecnologia vai exterminar o analfabetismo?”

  1. Eu acho a tecnologia uma ferramenta espetacular se bem usada e com esse blog eu acho que vai ajudar bastante crianças e adolescentes.

  2. Ótima matéria. Serve pra refletir sobre a importância de um mundo mais igual e justo para todos.

  3. Matéria muito pertinente pois confronta a tecnologia x analfabetismo. Muito triste saber que em um mundo de hoje muitos não tem acesso a modernidade. E isso se dá muito pelo governo corrupto que pra eles é mais conveniente ter uma população emburrecida.

  4. Bom, eu acho que só a tecnologia não irá resolver o problema de analfabetismo. Primeiro acho que todo cidadão deve ter direito de tudo que escreveu no texto e que está na constituição, portanto, deve+se fazer uma faxina no Brasil acabando com a corrupção que tanto prejudica as pessoas.
    Hoje vivemos um momento onde todos tem acesso a internet, mesmo assim sempre vemos pessoas com uma péssima escrita e pessoas que usam essa tecnologia para coisas que não prestam, então oque deve ser feito é acabar com essa corrupção e dar uma educação digna para todos!

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